sábado, 26 de setembro de 2015
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
A geração que tudo idealiza e nada realiza
Demorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve por todos esses anos a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem porquê. Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz.
Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior.
Entendemos que as bicicletas podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vimos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que tem minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thrru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.
Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.
Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.
Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. Sabemos que existe gente bem intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem.
Nos dedicamos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social. Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais. Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar.
Somos a geração que se mostra feliz no Instagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.
Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.
Fonte: Sábias Palavras
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Só dê ouvidos a quem te ama
Só dê ouvidos a quem te ama. Outras opiniões, se não fundamentadas no
amor, podem representar perigo. Tem gente que vive dando palpite na vida
dos outros. O faz porque não é capaz de viver bem a sua própria vida. É
especialista em receitas mágicas de felicidade, de realização, mas
quando precisa fazer a receita dar certo na sua própria história,
fracassa.
Tem gente que gosta de fazer a vida alheia a pauta principal de seus
assuntos. Tem solução para todos os problemas da humanidade, menos para
os seus. Dá conselhos, propõe soluções, articula, multiplica, subtrai,
faz de tudo para que o outro faça o que ele quer.
Só dê ouvidos a quem te ama, repito. Cuidado com as acusações de quem
não te conhece. Não coloque sua atenção em frases que te acusam
injustamente. Há muitos que vão feridos pela vida porque não souberam
esquecer os insultos maldosos. Prenderam a atenção nas palavras
agressivas e acreditaram no conteúdo mentiroso delas.
Há muitos que carregam o fardo permanente da irrealização porque não se
tornaram capazes de esquecer a palavra maldita, o insulto agressor. Por
isso repito: só dê ouvidos a quem te ama. Não se ocupe demais com as
opiniões de pessoas estranhas. Só a cumplicidade e conhecimento mútuo
pode autorizar alguém a dizer alguma coisa a respeito do outro.
Ando pensando no poder das palavras. Há palavras que bendizem, outras
que maldizem. Descubro cada vez mais que Jesus era especialista em
palavras benditas. Quero ser também. Além de bendizer com a palavra, Ele
também era capaz de fazer esquecer a palavra que amaldiçoou.
Evangelizar consiste em fazer o outro esquecer o que nele não presta, e
que a palavra maldita insiste em lembrar.
Quero viver para fazer esquecer... Queira também. Nem sempre eu consigo,
mas eu não desisto. Não desista também. Há mais beleza em construir que
destruir.
Repito: só dê ouvidos a quem te ama. Tudo mais é palavra perdida, sem alvo e sem motivo santo.
Só mais uma coisa. Não te preocupes tanto com o que acham de ti. Quem
geralmente acha não achou nem sabe ver a beleza dos avessos que nem
sempre tu revelas.
O que te salva não é o que os outros andam achando, mas é o que Deus sabe a teu respeito.
Fábio de Melo
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Os filhos querem colo....sempre!
No dia 12 de maio de 2011, uma amiga do meu filho pulou do 8º andar do
prédio onde morava na Rua Emiliano Perneta. Era uma adolescente. Tinha
acabado de almoçar, estava com o uniforme do Colégio Bom Jesus, e a
mochila nas costas, o que indicava que iria para o colégio à tarde, pois
nas quartas e sextas eles têm aula o dia todo. Foi um choque para todos
os colegas!
Aí vem a pergunta: Por
quê? Ela tinha apenas 15 anos. Que problemas uma menina de 15 anos pode
ter? Fiz esta pergunta ao meu filho, e a resposta me deixou chocada…
Ele me disse:
– Mãe, eu acho que era falta de colo.
Questionei:
– Como assim?
E ele me disse:
– Hoje em dia, os pais trabalham praticamente o dia todo, sempre com a
mesma desculpa de que querem dar aos filhos tudo aquilo que nunca
tiveram e, na maioria das vezes, eles estão conseguindo. Eles estão
dando um estudo no melhor colégio, cursos de idiomas, dinheiro para
gastar no shopping, um computador de última geração pro filho ficar
enfiado em casa durante o pouco tempo livre que sobra, roupas, tênis,
celular, tudo muito caro, etc… E sempre cobrando da gente boas notas,
pois estão investindo muito… Na maioria das vezes, os pais não têm mais
tempo para os filhos, não conversam mais, não fazem um carinho…
Ele
fez uma pausa. Eu estava boquiaberta com o que ele acabara de falar-me e
meus pensamentos foram a mil. Mal comecei uma frase
– Meu filho, você tem razão. É isso mesmo…
E ele me interrompeu dizendo:
Mãe, quando a gente chega em casa, o que mais a gente quer é o colo da
mãe. Quando vai mal nas provas ou quando acontece alguma coisa ruim, a
gente quer colo. Por que você acha que hoje tantos jovens são quase
revoltados? Na maioria das vezes, eles estão querendo chamar a atenção,
ser notados… Só que no lugar errado e de forma errada: na rua e com
violência.
– Dei um grande abraço em meu filho, beijei-o com muito carinho. E lhe disse:
Meu filho, espero que a morte da Joana não tenha sido em vão, pois quem
sabe desta forma muitos pais vão repensar suas atitudes para com seus
filhos!
Ele olhou-me carinhosamente e concluiu, antes de sair para a escola:
Não somos máquinas, mãe. Não somos todos iguais. Não é porque o filho
da vizinha tira só dez que todos nós vamos tirar 10. Talvez, nem todos
nós queiramos falar inglês!
Seus olhos cheios de lágrimas revelavam a
dor que sentia pela morte da colega e, ao mesmo tempo, o quanto meu
filho valorizava a nossa família. Já fora de casa, ele voltou correndo e
me deu um forte abraço e me disse:
– Mãe, obrigado por eu poder
contar sempre com você nos maus momentos…E, obrigado, também, pelas
broncas, pois sei que as mereço.
Depois que ele virou a esquina, fechei suavemente a porta, pensativa e convencida de que o tempo e o amor são os melhores investimentos que podemos fazer pelos nossos filhos. O resto é consequência. Nada é mais importante que estes meios essenciais para a felicidade de nossos filhos. E, sem dúvida, só assim poderemos também ser felizes com a consciência tranquila de ter cumprido bem a nossa missão de pais.
Fonte: Sábias Palavras
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