sábado, 10 de outubro de 2015
SER PESSOA: PROCESSO DE EVOLUÇÃO
'O desafio de ser pessoa'. O termo 'pessoa' sempre foi muito usado, principalmente pelos gregos. 'Pessoa', no contexto grego, significa a máscara que o ator usava para interpretar no teatro.
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
O desconcerto que concerta
Odiar é também uma forma de amar.
Diferente, mas é. É que o coração humano nem sempre consegue identificar
o sentimento que o move. É claro que existem situações em que o ódio é
ódio mesmo, mas, em outras, não.
Você já deve ter experimentado isso que estou dizendo. Sobretudo no
momento em que foi traído, enganado e até mesmo abandonado. O sentimento
foi de revolta e, nela, o amor muda de cor, configura-se diferente. É a
mesma coisa que acontece com os animais que se camuflam para
sobreviverem às ameaças dos inimigos. O camaleão é sempre camaleão,
mesmo que não possamos identificá-lo no seu disfarce. Da mesma forma
fazemos nós.
Quando temos o nosso amor traído, ameaçado pelo descaso do outro, nós
nos revestimos de ódio e ressentimentos. Mas a fonte é sempre o amor.
Ele é o referencial de onde parte a nossa reação. Nem sempre temos
coragem de assumir isso. A traição nos trava para a misericórdia. E,
então, sentimos necessidade de devolver a ofensa com a mesma moeda.
Por isso, dizemos que odiamos. Mas só o dizemos, porque o que nos falta é coragem para dizer que amamos.
Camuflados e infelizes
Camuflar é o recurso que usamos com o objetivo de nos justificarmos
diante dos outros. É uma forma que temos de nos sentir menos humilhados.
Não raras vezes, dizer que temos ódio é uma maneira de tentar dar a
volta por cima. Estranho isso, mas acontece.
Talvez seja por isso que as pessoas andam tão distantes dos seus
verdadeiros sentimentos. Tememos a fraqueza. Tememos que o outro nos
flagre no sofrimento que a gratuidade do amor nos trouxe. Preferimos
assumir uma postura marcada pela agressividade a outra que nos mostrasse
em nossa fragilidade.
Nos dias de hoje, cada vez mais, acentua-se a necessidade de ser forte.
Mas não há uma fórmula mágica que nos faça chegar à força sem que antes
tenhamos provado a fraqueza. E amar é experimentar a fraqueza. É provar o
doloroso campo da necessidade, da carência e da fragilidade.
Amar é uma forma de depender, de carecer e de implorar. É uma forma de
preenchimento de lacunas, visto que o amor é a melhor forma de
complementar os espaços.
Admirável desconcerto
Quem ama sabe disso. Quem é amado, também. A gratuidade do amor consiste
nisso. Amar quando o outro não merece ser amado. Surpresa maior não há.
Ser abraçado no momento em que sabemos não merecer ser perdoados. O
amor verdadeiro desconcerta. O perdão e a reconciliação são a prova
disso. Somente depois de dizermos infinitas vezes "Eu te perdôo" , é que
temos o direito de dizer "Eu te amo". Porque, antes do perdão, o que
existe é admiração. Esse último sentimento não é o mesmo que amar. Só
amamos aqueles a quem perdoamos. E, geralmente, só odiamos aos que
amamos, caso contrário seríamos indiferentes.
Pena que tem sido cada vez mais difícil declarar amor no momento em que o
outro não merece. Não temos coragem de tomar essa atitude, porque ela é
chamada de fraqueza, coração mole. E, por medo de sermos vistos assim,
camuflamos o amor com as roupas do ódio.
Perdemos a oportunidade de atualizar a gratuidade do amor de Deus na
precariedade do amor humano e de surpreender o outro com nosso gesto já
transformado pela graça divina.
Na sua vida, não tenha medo de ser fraco, já que a fraqueza representa
capacidade de amar. Quando o outro, pelas mais diversas razões esperar
pelo seu ódio, surpreenda-o com o seu amor.
Desconcerte-o e, assim, você ajudará a consertar o mundo.
Padre Fábio de Melo
Assinar:
Comentários (Atom)
