Hoje um amigo,
estudante de filosofia, me procurou. Disse que estava fazendo um estudo
sobre a violência moral e toda a realidade que nos cerca
atualmente no mundo que vivemos. Robson me contou que precisava publicar seu
artigo em algum site ou blog e que gostaria que fosse publicado aqui no blog.
Fiquei feliz ao saber que gostaria que fosse publicado aqui, e claro, é um
prazer para mim estar trazendo esse artigo que considero uma leitura muito
importante para todos nós. Confere aí!
"Farei duas perguntas que são óbvias: Em
nosso país, estamos em guerra ou em paz? Eis a primeira. Nossos olhos podem ver
apenas aquilo que é material e possui matéria e forma? Eis a segunda. Até este
momento você balançou a cabeça, deu aquele sim interior e concordou comigo. Ao
você concordar comigo que “oficialmente” estamos em paz em nível nacional, eu
lhe questionaria se “paz” é uma palavra que se refere somente ao aspecto
externo da vivência social ou pode se referir aos movimentos mais subjetivos de
cada pessoa humana? Ao você concordar comigo que olhos podem ver apenas aquilo
que é material e que possui matéria e forma,eu lhe questiono o que fazer para
conhecer e trabalhar coisas ou questões
que nos atingem e que não podem ser vistas pelos órgãos responsáveis pela nossa
visão?
Em relação ao primeiro questionamento, o
fiz pelo fato de que, ao contrário do Oriente Médio, não há pessoas sendo
massacradas na rua em nosso país, mas há pessoas sendo massacradas
virtualmente, psicologicamente, onde se mascara a cultura do conhecimento na
cultura da informação, como se informação e conhecimento fossem a mesma coisa,
etc.
Quando um brasileiro, ao ligar seu rádio e
ouvir uma música, é bombardeado por letras promíscuas que comparam o ser humano
a um felino em fase do cio, e ao desligá-lo e ligar a televisão em busca de
entretenimento, encontrar uma forte tendência de relacionar todo ato de humor
ou de enredo com uma visão distorcida da sexualidade humana, que não fique
assustado, isso é considerado cultura! Ou seja, quando um sujeito vem da rua,
chegando vivo e tranquilo em casa, constata-se que não há violência, mas,
entrando em sua residência ou ainda fora dela, a violência se dá nas propagandas
subliminares,nas frases que induzem um pensamento único e padronizado a todos,
nas cenas de televisão que, com a desculpa
de “mostrarem a realidade” induzem novos tipos de comportamento, na internet,
que massacra seus clientes com suas modinhas quase diárias.
E por isso constatamos que há sim uma
violência, e nisso refletimos sobre a segunda pergunta: o que fazer quando a
violência se dá num âmbito que é inalcançável pela visão humana? Quando o ato
que destrói e que corrói está além do que os olhos podem ver? Digo isso porque
se calou na humanidade aquela voz da consciência que, na escuridão silenciosa de sua alma, lhe
recordava da exigência de fugir do erro e buscar a verdade. E no lugar dela,
desenvolveu-se uma grande sensibilidade pela opinião alheia, pela crítica do
grupo, pelas conveniências sociais.
Diante disso, é interessante notar que
nos tornamos, de algumas décadas para cá, um povo domesticado pelas modas que nos
impõem alguns grupos, um povo que perde suas raízes por ser induzido a um
“avanço”, avanço este que tem como preço a perda da identidade e da cultura.
E assim, numa das poucas épocas onde se fala tanto em liberdade,
autonomia, etc. o que vemos nas ruas são multidões se comportando ao sabor e à
maneira dos “formadores de postura e opinião”, encontrados nas centrais de
grandes redes virtuais, diante das câmeras de um canal de televisão, nos
cenários de gravação das novidades que irão dos estúdios às ruas, etc.
E assim, em meio ao grito de liberdade, visível
e audível, se esconde uma violência, invisível e imperceptível, que age de modo
indireto, indutor, subliminar, mascarando-se como algo positivo e instrumento
de avanço social. E, na era da liberdade, poucos são realmente livres porque
estão presos nas ditaduras mais diversas. Dentre elas, a ditadura do consumo:
ter, ter, ter, como se fôssemos eternos, a ditadura da beleza perfeccionista,
onde um corpo sarado e perfeito é o critério de felicidade e relevância social,
como se aquele corpinho um dia não fosse envelhecer, enrugar-se e terminar em cinzas em um caixão, a ditadura
da malícia, onde tudo é levado para o apelo sexual, desde uma música no rádio
até um programinha infantil na TV.
E assim, vivemos na era da liberdade,
mas numa liberdade pobre! Pobre de valores culturais, espirituais e
intelectuais e ainda convencidos de que isso é ser avançado, é ser moderno!
E assim, finalizo afirmando que, se a
vida só vale a pena por essas misérias que estão nos induzindo a crer que é o
que vale a pena nessa existência, então essa vida não vale nada."
Robson Dias Correa
Estudante de
Filosofia - UNIFRA
Santa Maria- RS


