sexta-feira, 19 de junho de 2015
Reinventando o silêncio
Crianças
gritam para ser ouvidas. Pais gritam para ser atendidos. Clientes
gritam para reclamar e atendentes gritam para responder. Parece que
vivemos numa sociedade de surdos. Desaprendemos o silêncio, a calma, o
falar baixo. Vamos a um restaurante e não podemos conversar. A tal
música de fundo, que invadiu o mundo contemporâneo é tão alta que impede
o diálogo. As pessoas da mesa ao lado gritam umas com as outras e riem
alto sem a menor consideração com seus vizinhos. No avião e no ônibus é a
mesma coisa. Pessoas gritam para seus colegas de assento e todos têm
que ouvir o que não interessa saber. A impressão que me dá é que todos
querem ser celebridades públicas ou pensam estar num palco de teatro
falando para uma plateia.
Repare
que o barulho dos carros, das motos, das músicas em volume alto, das
conversas está a cada dia mais elevado sem que nos apercebamos disso.
Pessoas falam alto ao celular em qualquer lugar, até em cinemas, salas
de aula e igrejas. Crianças desaprenderam o falar baixo. Jovens estudam
com a TV ligada. Mães falam alto demais com seus filhos que por sua vez
respondem no mais alto volume possível. Outro dia ao entrar numa casa de
família, fiquei horrorizado com tanto barulho, gritaria, televisão e
rádio ligados em alto volume e todos gritando para serem ouvidos ao
mesmo tempo. Qual a qualidade de vida dessa família?
Na
empresa é a mesma coisa. Todos falam alto demais ao telefone, com seus
colegas e a poluição sonora toma conta do ambiente, o que faz com que as
pessoas não consigam ter foco no que estejam fazendo. Muito do
retrabalho, dos erros, das desatenções é ocasionado pela falta do
necessário silêncio que favorece a concentração. O próprio fato de todos
trabalharem juntos na mesma sala, sem um código de ética em relação ao
barulho excessivo, faz com que as pessoas não consigam prestar atenção,
gerando problemas sérios de qualidade e produtividade. Ninguém mais
ouve. Todos querem falar e falar alto.
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